Plano Piloto de Brasília

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Abrangência: Cidade

Classificação: Planos Diretores

CONCURSO PARA ANTE-PROJETO DE PLANO DIRETOR DE BRASÍLIA (DF)

  • Vitrine

    Estrutura viária principal e unidades habitacionais

    1 de 6

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    Esquema funcional

    2 de 6

  • Vitrine

    princípios geradores do partido

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  • Vitrine

    corte

    4 de 6

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    Primeiro Núcleo (fase de construção)

    5 de 6

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    Praça dos Três Poderes e Parque da Cultura

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Dois anos depois, o concurso público para o plano-piloto de Brasília levou o Jorge Wilheim a reunir uma ilustre equipe de amigos para o desafio, entre os quais Maurício Segall, Pedro Paulo Poppovic, José Meiches, Riolando Silveira, Péricles de Amaral Botelho, Alfredo Gomes Carneiro e os primeiros integrantes da JWCA, Rosa Kliass, Arnaldo Tonissi e Odiléia Setti.

Organizado pelo IAB, o Intituto de Arquitetos do Brasil, e pela Novacap, cujo presidente era Israel Pinheiro, o concurso era aberto a todo profissional e ou firma habilitados pelo Crea. Os 26 participantes que entregaram suas propostas constituiam um agrupamento heterogêneo: profissionais liberais, arquitetos, engenheiros, firmas de engenharia e escritórios de arquitetura. "Havia pelo menos uma dúzia de propostas bem construídas", segundo Wilheim. "O desafio era sedutor e a recente experiência de Angélica me animava".

Mauricio Segall tratou de montar hipóteses demográficas para estabelecer o tamanho que a nova capital alcançaria, pois havia dúvidas em relação ao arbitrário número, de 500 mil habitantes, estabelecido pelo edital. Pedro Paulo Poppovic lucubrava sobre a composição da futura população, mistura de goianos, mineiros e baianos, com inserção carioca. José Meiches tecia generalidades sobre o saneamento nesse cerrado, que viria a ser beneficiado com a criação artificial do lago Paranoá, originalmente projetado apenas para gerar a eletricidade que atenderia a cidade e a região da Planaltina. O abastecimento elétrico foi estudado por Riolando Silveira e Péricles de Amaral Botelho, enquanto o consultor agrônomo foi Alfredo Gomes Carneiro. Coube a Wilheim propor o conceito urbanístico, o desenvolvimento da ocupação do solo, o caráter e a cara que a nova capital teria.

Havia a consciência que não se tratava de mera polis e sim de uma civita, isto é, a função de capital nacional dava aos espaços urbanos um caráter simbólico e ao uso desse espaço um ritmo de vida diferenciado. O projeto proposto para o concurso buscava essa diferenciação, criando uma praça dos três poderes transformado em parque de cultura, sede de museu da nacionalidade e dos símbolos culturais da formação nacional. O conjunto dos ministérios constituía, em lugar da esplanada que hoje conhecemos, um anel ao longo de vasta avenida circular, permitindo que atrás de cada ministério se desenvolvesse a trama urbana correspondente. Esta trama se construiria com volumes decrescentes, de prédios medianamente altos para os baixos e para as casas, até alcançar um grande parque, igualmente circular. O comércio local se estenderia em forma de anel entre os edifícios de escritórios e os ministérios e o setor residencial; mas um comércio mais miúdo se estenderia no miolo desse setor, de modo semelhante ao que fora projetado em Angélica e que Lúcio Costa, vencedor do concurso, proporia entre as super-quadras.

Um artigo referente à proposta da Jorge Wilheim Arquitetos Associados foi publicado na Revista Habitat, na edição de Março-Abril de 1957.