Angélica - Plano Diretor de uma cidade cafeeira

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Abrangência: Cidade

Classificação: Planos Diretores

ANGÉLICA - PLANO DIRETOR DE UMA CIDADE CAFEEIRA

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    Planta do projeto

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    Localização do município

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    Foto áera da implantação da cidade

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    À esquerda o centro comercial e à direita Praça Cívica

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    Unidades de vizinhança de predominância residencial

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Em 1954, Jorge Wilheim se deparou com o primeiro desafio urbanístico: uma cidade nova, no meio de uma floresta entre Campo Grande e Dourados, no estado de Mato Grosso, com a finalidade de desenvolver a região. Assim nasceu Angélica, modelo em planejamento urbano, um início importante na carreira do jovem arquiteto e que significou também um salto qualitativo em conhecimentos e reflexões sobre a prática do urbanismo no Brasil.

Nessa época, seu conhecimento de urbanismo era teórico, mas bastante vasto. Tinha lido toda a obra de Le Corbusier e conhecia bem as teses da Ville Radieuse e todos os postulados da urbanística europeia moderna, com suas funções essenciais: morar, trabalhar, circular e recrear-se. Também havia estudado a urbanística inglesa e suas cidades-jardins, assim como a Broad Acre City, em que Frank Lloyd Wright expunha sua visão para a vida urbana. Mas qual era a relação dessas teses com a criação súbita de uma cidade na mata brasileira? De pouco adiantavam teses geradas por séculos de crescimento orgânico a partir dos burgos medievais europeus. Wilheim encontrou a resposta em Pierre Monbeig, o geógrafo humano francês que estudou o nascimento e o crescimento das cidades pioneiras do oeste paulista. Mergulhou na análise dessas cidades em franja pioneira, na boca do sertão, na ponta dos trilhos, e daí extraiu os conceitos básicos do nascimento de cidades não-coloniais no Brasil.

Angélica, núcleo urbano cercado de fazendolas de café, busca responder às demandas de uma cidade pioneira: seu núcleo gerador é uma praça cívica, constituída do espaço da feira, da estação rodoviária, da pista de pouso, do campo de futebol; acrescidas de uma igreja, uma pousada e uma administração. Este núcleo tem o desenho de duas praças, moderna versão atual das tradicionais piazza delle erbe, praça da catedral e praça do poder local, comum a todas as cidades medievais. Mas num contexto todo brasileiro.

De um lado desse núcleo há o centro comercial, cuja trama viária é dupla, como os dedos de duas mãos que não se tocam: a malha de vias de pedestres e a malha de vias para veículos; do outro lado desenvolvem-se as super-quadras de predominância residencial, com algumas características então inovadoras. Todos os lotes residenciais abrem exclusivamente sobre ruas sem saída, evitando o desconforto de trânsito de passagem. O miolo das quadras é destinado a usos coletivos: escolas, clubes, creches, igrejas, campos esportivos, lugares para piqueniques. Entre duas super-quadras há uma faixa de lotes para o comércio local – esquema este que, por coincidência, seria proposto dois anos depois por Lúcio Costa, em seu projeto para o plano-piloto de Brasília.