Banco sonoro Jorge Wilheim

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Categoria: Eventos

Inaugurado em setembro de 2019, o banco sonoro em homenagem a Jorge Wilheim está localizado no Parque Ibirapuera e é uma iniciativa do Projeto Legado Jorge Wilheim, realizado pela família e por amigos do arquiteto urbanista, falecido em 2014. A peça compõe um mobiliário urbano originado a partir de um eucalipto morto, removido dentro do próprio parque e transformado pelas mãos do artista plástico Hugo França e sua equipe em um banco para acolher muitas pessoas sentadas ou em seu entorno.

A instalação sonora criada por Antonio Curti (Aya Studio) tem origem no debate “Diálogos Impertinentes sobre o Urbano”, com participação de Jorge Wilheim, Olgária Matos, Mario Sergio Cortella e mediação de Nelson Ascher, gravado em vídeo na década de 1990 pela TV PUC. Trechos do debate são intercalados com músicas selecionadas da discoteca de Wilheim, que era um músico em sua essência, admirador das obras clássicas e modernas. A edição sonora é assinada por Antonio Curti. O projeto do banco sonoro foi concebido e coordenado por Ana Maria Wilheim, filha do arquiteto, com apoio do Instituto Cultural Itaú e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente do município de São Paulo. 

Jorge Wilheim, de origem italiana, nasceu em Trieste, em 1928, e migrou para o Brasil devido à perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Naturalizado brasileiro, desde a adolescência trabalhou com suas capacidades intelectuais e artísticas pela construção de cidades e sociedades com mais igualdade e justiça social.

Formado pela FAU Mackenzie no início dos anos 1950, teve uma carreira de imensas realizações: criou uma cidade, Angélica no Mato Grosso do Sul; plantou 20 Planos Diretores em cidades importantes como Curitiba, Natal, Goiânia e São Paulo; projetou edifícios, residências domiciliares, hospitais e prédios públicos.

Foi Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo no Governo Paulo Egydio Martins (1975-79) período no qual criou a Fundação Seade, o Procon, a Terrafoto, o Passe do Trabalhador, e implantou a primeira utilização oficial de álcool combustível no País, programa que seria conhecido mais tarde como PróAlcool. Foi também Secretário do Meio Ambiente no Governo de Orestes Quercia (1987-90) e responsável pela estruturação da primeira secretaria do gênero no País.

Wilheim foi responsável pela elaboração de dois planos diretores para a capital paulista, em 1998 e 2004. Neste último, introduziu a outorga onerosa e a criação do Fundurb como mecanismos econômicos de distribuição de recursos para áreas mais periféricas da cidade. Com este feito, Jorge alcançava uma de suas metas mais importantes: a redistribuição de recursos na cidade. 

O sociólogo espanhol Manuel Castells define a essência do legado do arquiteto e urbanista no prefácio do livro “A obra pública de Jorge Wilheim”:

“Jorge Wilheim, um visionário pragmático, sempre interessado nos grandes debates intelectuais, mas também desconfiado da aristocrática alienação de certos teóricos de esquerda, conseguiu propor políticas urbanas e ambientais que de fato ajudaram a melhorar a metrópole de SP, apesar da especulação imobiliária privada e da usual inépcia da administração pública a que a cidade é submetida.”

Wilheim conclui este mesmo livro abordando um desejo socrático de compartilhar sua experiência de vida sentado num banco de praça.

“(...) Creio que, um dia, encontrarei esse banco de praça, dentro ou fora de uma universidade.”

“(...) gostaria de ter maior contato com jovens, para partilhar, com olhos, corações e mentes de gerações distantes, o interesse por questões comuns.”

“(...) Quero ter contato periódico com jovens interessados, para aprendizado mútuo. Bastaria um banco de praça, à sombra de uma árvore frondosa, com espaço para pessoas sentarem ao redor.”

O último desejo de Jorge Wilheim se concretiza pela contribuição decisiva de Hugo França, Heraldo Guiaro, Antonio Curti, Felipe Sztutman, Wesley Lee, Marcelo Araujo, Instituto Cultural Itaú, Secretaria do Verde e Meio Ambiente e a família de Jorge Wilheim. Motivados pela memória e pela responsabilidade em difundir o legado do urbanista, entregam para a cidade de São Paulo o Banco sonoro Jorge Wilheim.

Ficha técnica:

Banco Sonoro Jorge Wilheim, 2019
Hugo França
Sonora: Aya Studio
Concepção geral: Ana Wilheim
Produzido a partir de um resíduo de eucalipto do Parque Ibirapuera
Dimensões: 232 x 840 x 140 cm

Apoio:

Instituto Cultural Itaú
Secretaria do Verde e Meio Ambiente
Projeto Legado Jorge Wilheim

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