O escritório

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Fundado em 1953, o escritório Jorge Wilheim Consultores Associados esteve à frente de grandes obras que renovaram a urbanística no Brasil, como a reurbanização do Vale do Anhangabaú, a renovação do Pátio do Colégio, e a construção do Parque Anhembi.

Em 60 anos de exercício ininterrupto, a JWCA atraiu clientes de diversas categorias, públicos e privados, no Brasil e no exterior, em busca da sabedoria e inspiração de Wilheim, que soube manter um escritório inovador, constantemente renovado e atualizado, a fim de responder aos desafios de décadas de transformações. O lastro de inúmeros projetos arquitetônicos, urbanísticos e estratégicos permitiu à JWCA abordar soluções inovadoras com a segurança da experiência.

O escritório teve início em um pequeno espaço, no centro de São Paulo, após o sucesso da primeira grande incursão profissional do recém-formado Jorge Wilheim, na elaboração do projeto hospitalar da Santa Casa de Jaú (1952).

Em 1954, Wilheim se deparou com o primeiro desafio urbanístico: uma cidade nova, no meio de uma floresta entre Campo Grande e Dourados, no estado de Mato Grosso, com a finalidade de desenvolver a região. Assim nasceu Angélica, modelo em planejamento urbano, um início importante na carreira do jovem arquiteto e que significou também um salto qualitativo em conhecimentos e reflexões sobre a prática do urbanismo no Brasil.

Dois anos depois, o concurso para o plano-piloto de Brasília levou o arquiteto a reunir uma ilustre equipe de amigos para o desafio, entre os quais Maurício Segall, Pedro Paulo Poppovic, José Meiches, Riolando Silveira, Péricles de Amaral Botelho, Alfredo Gomes Carneiro e os primeiros integrantes da JWCA, Rosa Kliass, Arnaldo Tonissi e Odiléia Setti.

Ao lado de uma equipe multidisciplinar que desde o início contou com grandes profissionais, cerca de 100 colaboradores em seis décadas, Wilheim desenvolveu certo pendor para ler as cidades, lançar hipóteses de mudanças e antever caminhos de superação. Disso resultou a elaboração de propostas diversas e não padronizadas de planos urbanísticos, ao todo mais de vinte, destacando-se o de Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Natal, Joinville, Paulínia, Campinas, São José dos Campos, Osasco, Guarulhos, Araxá e outros.

O desafio em Curitiba consistia em detectar corretamente as características e os problemas de uma cidade em plena fase de crescimento e escolher as diretrizes que pudessem orientar seu desenvolvimento. A proposta era inovadora e previa um planejamento continuo e sustentável, rompendo com esquemas urbanísticos formais. O plano também previa a pedestrianização do centro com a implantação de calçadões, iniciativa incomum em 1965, que permitiam preservar e dar amplo uso aos centros históricos. Ainda segundo o plano, as vias estruturais da cidade deveriam possibilitar um sistema de transporte de massa mais eficaz e compreensível, enquanto o zoneamento estimularia maior adensamento ao longo delas, elevando o padrão de qualidade que caracterizou a cidade nas décadas seguintes.

Inovação

A JWCA também se destacou em consultorias inovadoras, como o estudo de expansão urbana para a Shell (1964) que, além de indicar vetores de crescimento urbano, acrescentou diferenciais competitivos para a época, como a cobertura total do espaço e a instalação de pequenas lojas de conveniência. Em poucos meses a empresa se tornou a primeira em vendas, o que obrigou as demais companhias a readequarem seus postos. Outra consulta pioneira, desta vez na abordagem da questão ambiental, na década de 1980, realizou aquele que provavelmente foi o primeiro estudo de impacto ambiental no País, para a Alcoa, na cidade de São Luiz do Maranhão.

O complexo do Parque Anhembi, uma das obras públicas mais conhecidas de Wilheim é também um de seus projetos mais ambiciosos, considerado pioneiro até para os padrões internacionais da época. Em apenas 8h, por meio de guindastes manuais, ergueram-se de uma só vez os 70 mil metros quadrados da enorme estrutura metálica que serviria de cobertura para o Pavilhão de Exposições, um dos marcos arquitetônicos de São Paulo. A operação exigiu pesquisa internacional, tecnologia de ponta e uso de computadores para calcular a estrutura espacial desejada, isso tudo em 1969. 

Para o projeto de reurbanização do Pátio do Colégio, Wilheim compreendeu a importância da diferença de altitude entre a colina e a várzea, que havia levado os jesuítas a optarem pela fundação de São Paulo precisamente naquele lugar. O redesenho implicaria a reconstituição dos taludes e a preservação do Pátio sob a colina, com mínimas e respeitosas intervenções. Após o projeto, no entanto, o sítio teve sua simplicidade perturbada com a construção de uma igreja e de um estacionamento da associação comercial.

Em 1981, um milhão de pedestres eram canalizados para sua travessia do Viaduto do Chá, enquanto o Vale do Anhangabaú permanecia ocupado por um caudaloso rio de automóveis. A prefeitura de São Paulo realizou um concurso público para encontrar a melhor solução possível para o espaço e, entre 93 projetos apresentados, a JCWA foi eleita com um projeto simples que identificava a necessidade óbvia de reconquistar o vasto espaço central para os pedestres. A solução recorreu ao afundamento do fluxo de trânsito para  permitir a criação de um parque de 8 hectares, com acesso direto a duas estações de metrô, a ser cruzado em todos os sentidos com liberdade, apto a receber atividades espontâneas ou organizadas de todo tipo.

Ao longo de sua carreira, Wilheim foi convidado a integrar a administração pública em sucessivos cargos governamentais de muita responsabilidade, aos quais se dedicou com afinco, sempre estimulado pela oportunidade de construir os alicerces para cidades mais humanas e pela possibilidade de atingir o maior número de pessoas com suas ideias. Apesar dos consequentes períodos de distanciamento do escritório, Wilheim contou com profissionais altamente qualificados que conduziram a JWCA com sabedoria durante esses anos e contribuíram de forma definitiva para a sua longevidade.

Wilheim também realizou muitos projetos de arquitetura marcantes, entre residências; edifícios comerciais, públicos e industriais; escolas e hospitais; como por exemplo, a sede do Clube Hebraica, a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o centro de diagnósticos do Hospital Albert Einstein. Nos projetos privados sua principal preocupação era enfrentar as limitações impostas pelo que chamava de “tirania do lote retangular”, com a padronização do volume construído e campo de ação predeterminado, além da busca por soluções espaciais ricas e variadas em um esquema estrutural simples e econômico.

Os trabalhos mais recentes do escritório incluem a liderança em consórcios internacionais como os Estudos Urbanísticos para as estações do TAV - Trem de Alta Velocidade e a coordenação geral na elaboração do Operação Urbana Rio Verde-Jacu em São Paulo.

Em 2015, as arquitetas Marcia Grosbaum e Ligia Rocha Rodrigues assumem as atividades e a liderança do escritório.